Off the record

Carreira?

2009/10/15 · Deixe um Comentário

Sabem quando a profissão de sonho em criança se torna impossível? Por exemplo, quando queremos ser bombeiros até que percebemos que temos medo do fogo?

Bom, se calhar o jornalismo de investigação não é a minha área porque os meus nervos comem-me o estômago e mal consigo comer.

Vou pensar sobre isto para a minha cama escura, já que os festejos académicos dão dispensa das aulas hoje e amanhã.

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O voto conjugal

2009/10/12 · Deixe um Comentário

Durante o longo dia de ontem – dia de Eleições para as Autarquias Locais – desenvolvi uma teoria que me parece, para além de concisa, muito verdadeira. Isto do dever cívico é uma coisa bonita, mas cansa muito passar um dia a ver uma fila interminável de gente aproximar-se da secção de voto onde somos escrutinadores, de lápis por afiar em punho, prontos a procurar entre as imensas páginas o número do totoloto. E, melhor, adivinhar o nome das pessoas, que é algo que me fascina. Porque dizer “2045, José dos Santos Ferreira” (imaginemos!) num tom de meio pergunta meio afirmação, quase como dizendo “diga lá que não adivinhei o seu belo nome?” é fascinante para mim! Mas bom, voltando à minha teoria e deixando as outras exeperiências do dia para depois vos contar. O voto conjugal!

O voto conjugal é um fenómeno que aparece à margem do voto secreto e democrático, porque, tal como o nome indica, é conjugal. Ou seja, rege-se pelas regras do santo matrimónio e por todas as outras sub-regras que daí adevêm. Então: em resumo, o voto conjugal é quando um casal – de qualquer tipo – vai ao mesmo tempo às urnas e preenche os boletins de voto ao mesmo tempo. Tudo bom até aqui. Onde surge o fenómeno? O voto é discutido no acto, onde vale tudo: passar de um lado para o outro para indicar ao cônjuge onde votar; segredar entre a separação ou mesmo discutir a questão enquanto se espera na fila!

A teoria que desenvolvi baseia-se numa relação simples e numa evolução de personalidades. Todos conhecemos em algum momento da nossa vida aqueles colegas que por mais que estudassem, por mais que soubessem, ou então por mais que não soubessem, não conseguiam fazer um único teste ou exame sem confirmar todas as suas respostas com os seus pares. Ora estas pessoas, claramente inseguras, mas pelas mais diversas razões (ou outras nem sequer inseguras, mas que ganharam esta terrível mania) crescem e desenvolvem-se na sociedade desta mesma forma: sendo incapazes de dar um passo sem confirmar com os seus pares se está tudo bem, se podem avançar.

E como sabemos, muitas das relações que construímos são amorosas (mais ou menos) e nelas se descortina muita da nossa matéria. E é então aqui que este tipo de pessoas escolhem os seus companheiros de vida segundo esta velha mania: ou escolhem alguém a quem possam sempre perguntar antes de fazer (aliás, confirmar, perdão) ou escolhem alguém que tenha que confirmar com elas por sua vez. Estabelecem-se então aqui poderosas relações de poder! E, infelizmente, na maior parte dos casos o elemento masculino é o detentor de toda a razão (chamemos-lhe o líder de opinião) e o elemento feminino o que necessita de constante confirmação.

E é então que ele acontece: o voto conjugal. Mais ou menos saudável, porque vai desde o caso em que o casal discute na fila em quem vai votar, até ao que concorda em votar no mesmo já na secção de voto passando pelo menos saudável, que é o caso em que um dos elementos do casal não está cá para discussões e simplesmente vota pelo outro.

No meio de tudo isto, são diversas as vezes que se chama a atenção a casais por estarem a conversar na secção de voto, incluindo o tão saudoso “shhhhhhh” que costumávamos ouvir nos tempos da primária!

A todos os casais que praticam o voto conjugal deixo uma mensagem: por favor, deixem de ser idiotas! As relações são únicas e bonitas e a intimidade deve prezar-se…Mas não contra a lei, senhores. E quanto aos que necessitam constantemente de confirmações…Das duas uma. Ou se afastam da minha vida bem rapidinho para eu não ter que vos esganar ou então experimentem, uma vez por outra, pensar pelas vossas lindas cabecinhas. Espantar-se-iam com o resultado de uma decisão própria!

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Recompostinha

2009/10/10 · Deixe um Comentário

majikhorse-psychedelic1

Fonte: imagens do google. Apeteceu-me assim uma coisa colorida.

Ainda que não tenha tido queixas, e por isso não possa dizer que o faço a pedido de muitas famílias, não posso deixar de referir que entendo, perfeitamente, o possível descontentamento dos meus mil leitores! (Atiro sempre números para o ar, é assim que sou)

Bem sei que os últimos posts foram um pouco maçadores para quem não gosta e para quem gosta também. Mas a dinâmica voltou, senhores e senhores, meninos e meninas, e cá estou eu, recompostinha e pronta para o que aí vem!

Mas o que aí vem mesmo mesmo amanhã é o último dia desta MARATONA, ao estilo do Disney Channel, de Eleições. Enough is enough. E agora só faltam as presidenciais. Mas por enquanto amanhã, domingo, será o dia mais comprido da minha vida. Porque não só me foi concedido o lugar “honroso” (é o que diz na carta da Câmara!) de 2ª Escrutinadora, como também levo para a Secção de voto nº1 de Nogueira uma constipação e uma conjuntivite! Será com certeza uma aventura longa tentar ver pelo olho esquerdo, evitar que os fluídos nasais caiam sobre o caderno eleitoral e aguentar a expectativa dos resultados. Sim, estou expectante! Mas não me vou prolongar, até porque hoje é dia de reflexão.

Mas e o que c****** significa dia de reflexão? A sério…Alguém decide MESMO hoje em quem votar?

Por outro lado, não podia deixar de dizer que para mim as aulas começam segunda-feira! Hurray! Quanta saudade da Universidade do Minho. Agora com um novo reitor! Hurray!

Bom, ainda que a minha professora de Jornalismo seja agora pró reitora, não posso deixar de dizer…PORRA! Mas tinha MESMO que ganhar o pior? O Senhor Doutor Professor Reitor, em entrevista aos jornais diários da Região, referiu, como quem faz uma promessa eleitoral, a passagem da Universidade do Minho a Fundação. Ok. Já temos as entidades externas no Conselho Geral. Mas levar assim um soco na barriga, como quem diz “Sim, verdade, ninguém que mesmo saber o que os estudantes pensam” ou então, “Sim, verdade, a ideologia dominante apoderou-se de vez do Ensino Superior e, melhor, a lógica de mercado também, em todo o seu esplendor” não é fácil. Não é não.

Mais difícil do que isso só o Nobel da Paz. O Obama? Mas porquê? Quer dizer…É verdade que não fui eleita Presidente dos Estados Unidos e que as minhas origens são (até quanto sei) absolutamente caucasianas, mas em “termos de queijo e fiambre” (como dizia o outro), as minhas acções futuras prometem tanto quanto as do Barack! Ou a noção de Paz mudou e ninguém fez o favor de me avisar (fico mesmo irritada quando sou a última a saber das coisas e vocês sabem disso!) ou isto cheira um bocado para o mal.

Para melhorar, só o comentário do José Saramago. Falar do futuro quando nem se tem muito bem a certeza como viver no presente é algo que me faz alguma comichão. Não tanta como ao J.F:, que não pode ler “futuro” em lado nenhum, mas alguma.

E assim termino os meus comentários à actualidade e com toda a certeza tenho agora a opinião pública a meus pés, ou não fosse eu o Miguel Sousa Tavares. Ah, como eu gosto de brincar ao fim da tarde de um sábado!

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Não há

2009/09/09 · Deixe um Comentário

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São os últimos acertos antes da abertura. É o calor, o sol, o corre-corre. São os abraços de quem não tem tempo de se ver antes de sexta-feira. São os sorrisos de quem diz “Está quase”, são as centenas que vão enchendo as artérias principais do recinto. São os punhos erguidos que se adivinham ao ouvir gritar em todos os altifalantes. Começa a Festa, inaugurada com emoções fortes e palavras de esperança por uma vida melhor. Esperança e vida essas que se refletem em todos os rostos atentos e felizes. É o “Avante” que une todos os corpos e vozes. É a “Internacional” que faz o chão tremer um pouco. É o Hino Nacional que enche de orgulho os olhos à volta. É, então, a carvalhesa, que enche de alegria e explosões todos os sorrisos e todos os músculos. Começa a cidade da vida melhor, onde a alegria cabe em todos os afectos, em todos os pratos, em todas as exposições, concertos, peças e vinhos. É a ópera que enche o recinto e os corações. São os encontrões para passar para onde quer que seja. É o fim da noite e o príncipio do resto.

É a manhã quente e cheia. São os copos e os pratos. Os cheiros. Os brindes. São as sombras cheias. O sol a queimar. O porco no espeto de Coimbra e o leitão de Aveiro. A chuva em Braga e o vinho verde. As cores e CDU em todos os recantos. Os rostos sorridentes nas paredes da Cidade da Juventude. A noite mais fresca, mas os rostos ainda quentes.

São os últimos momentos e os últimos sorrisos. Os tambores e as bandeiras. As pessoas. A relva que não se vê debaixo de todos os que aguardam. O sol. De novo a esperança numa vida melhor. A vida melhor estampada nas expressões já cansadas, mas combativas, exigentes. Resistentes. O “Avante” e os corpos unidos. A “Internacional” num tom colectivo. Feliz. O Hino. A carvalhesa. As pessoas.

A próxima.

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Português, 20 anos, comunista

2009/08/30 · Deixe um Comentário

Digitalizar_publica
Uma das fotografias da reportagem da Pública. Não querendo ser influenciada pelo facto de conhecer o fotografado, não deixo de considerar uma das poucas coisas de valor na reportagem.

Não podia deixara de escrever sobre esta reportagem, publicada hoje na revista Pública, suplemento do jornal Público.

Foi com algum entusiasmo, confesso, que comprei a revista – onde já sabia sair uma reportagem sobre a Festa do Avante! – e li o primeiro parágrafo do jornalista Paulo Moura. Não deixa de ser um parágrafo simpático, elogiando a beleza das duas raparigas entrevistadas e fazendo referencia ao dia de sol abrasador que se fez sentir no último fim-de-semana na Quinta da Atalaia.

Mas depressa deixei de esboçar um sorriso quando percebi as escolhas de citação do jornalista. Ainda assim, fiz um esforço para deixar de lado o meu preconceito com alguns órgãos de comunicação social. Pensei que pudesse estar a fazer um julgamento precepitado do jornalista em causa, e que as citações, apesar de tudo, são ditas pelo entrevistado, e às vezes – raras vezes – não podem ser contextualizadas de forma diferente por parte do entrevistador.

Continuando a ler o artigo, depressa me apercebi que o meu instinto não tinha falhado. O jornalista Paulo Moura foi extremamente tendencioso e demonstrou uma clara mensagem de descrédito no PCP e na JCP. Primeiro, porque o artigo não se debruça assim tanto sobre os jovens que constroem a Festa, como falsamente anuncia. Debruça-se, sim, sobre as questões que, muito provavelmente exigidas por quem publica e coordena a revista e a sua inclinação ideológica, o jornalista tinha preparado. Devo referir também que, efectivamente, o jornalista não fugiu da sua linha orientadora das entrevistas. Tanto, que num momento, enquanto entrevista a candidata número dois pelo círculo de Almada às Eleições Legislativas, chega a perguntar três vezes a mesma coisa, insistindo numa questão que já tinha sido respondida pela entevistada. Nota-se claramente neste momento que o jornalista queria ouvir que, das duas uma, ou o PCP só se começou a preocupar em responsabilizar jovens no seu 17ºCongresso – como deixa escapar logo na pergunta – ou então o aumento na casa dos milhares de jovens aquando desse Congresso não resultou num crescimento. Não posso deixar de repudiar toda a entrevista referida pela forma como o jornalista guiou a conversa e a transcreveu. Chega ainda a referir que, dado o silêncio da entrevistada numa questão acerca da estatização da Comunicação Social, esta nunca pensou acerca disto. Caro colega, mas desde quando é que um jornalista inventa sobre o que os entrevistados sabem ou não sabem, pensam ou não pensam? Ou será que o colega não percebe que um entrevistado tem direito a não resp0nder, sem que por isso seja apresentado como um jumento ou um carneiro?

No geral, a reportagem desagradou-me. No final, onde aparece a entrevista que acima referi, nota-se uma maior sofreguidão por parte do jornalista em mostrar que as suas considerações acerca do Partido Comunista estão certas. Colega, preconceitos todos temos em relação às mais variadas coisas, mas não quando escrevemos um artigo. Não conhece a Festa do Avante! e não gosta de comunistas? Ou se recusava a fazer a reportagem ou a encarava como um desafio. E estudava. Sim, colega, estudava e preparava-se para ela. Mas não fazia o que fez, que foi reunir um sem número de clichés e preconceitos em relação ao PCP e à sua Festa e trabalhá-los em volta de algumas entrevistas e observações.

Gostaria ainda de salientar outro pormenor da reportagem: os veículos da Festa do Avante! não são veículos esquisitos, ou fora do normal, e muito menos são Avantunning. São velhos e gastos e adaptados, sim, tal como até refere, segundo as necessidades de transporte. Mas as modificações do tunning não são bem essas. Aqui está outra questão que deveria estudar antes de entrar em comparações espirituosas. E por falar nisso, não podia deixar de avisar o colega Moura que “República Popular da Atalaia” é uma piada sem gosto, de alguma baixeza, que não serve nem num café, muito menos numa reportagem escrita.

Termino aqui, sem deixar de referir que foi a reportagem mais tendenciosa e ofensiva que já li sobre a Festa do Avante! e sobre o PCP, ou até – atrevo-me a afiançar- sobre todos os temas em geral. Isto porque sei como funcionam os meandros da comunicação, como se manipula sem se manipular, como se mostra um ponto de vista continuando a parecer um mero observador imparcial. E porque conheço também toda a ofensiva contra a Festa do Avante! e contra o Partido Comunista Português, e a forma como é representado na Comunicação Social.

E respondendo à pergunta que fez à entrevistada Paula Santos, respondo de bom grado eu: na minha opinião pessoal, considero sim que deveria haver uma estatização da Comunicação Social, e sua auto-regulação. Para evitar servir o grande capital e os seus interesses, o que deita por terra muito do que é o bom jornalismo e degrada a qualidade da informação. Não deixo de dar uma nota: também os canais públicos caem nestas redes, quando um Governo filtra e censura, à sua mercê, a informação. Mas aqui entramos noutra discussão que deixarei para mais tarde.

Termino por aconselhar o jornalista Paulo Moura a ser mais profissional ou menos influenciado, não sei bem qual destes é o aspecto onde falha. E dizendo também que a Festa do Avante! – à semelhança do que o entrevistado Ângelo Alves refere na entrevista na reportagem – é um espaço onde os ideais comunistas se cumprem, onde o trabalho colectivo é o único trabalho, onde a solidariedade é uma constante, assim como a camaradagem e a alegria. São projectos pensados colectivamente e lavados a cabo. Com madeiras, tubos, tintas, suor e esforço. Com a finalidade de construir uma Festa de três dias que dura uma vida para quem a visita e conhece. Com a finalidade de provar que é possível uma sociedade diferente, assente nos valores comunistas. E sim, os comunistas acreditam numa sociedade sem classes. A opinião emitida pela jovem entrevistada não reflecte a opinião da esmagadora maioria dos que constroem a Festa e o projecto comunista. Só para que não se limite a opinião dos jovens que trabalham na Festa à opinião que o jornalista decidiu citar na reportagem.

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