Off the record

Entradas categorizadas como ‘Pedacinhos’

III

2009/10/16 · Deixe um Comentário

Éramos familiares quando não sabíamos do que seríamos capazes, fomos amigos quando falhámos e somos desconhecidos quando somos quem somos. Não sabemos como seremos e, ainda assim, não temos esperança alguma de sermos em conjunto. Trabalhamos em esforço para acompanhar as marés, mas quando uma está cheia, a outra esvaziou já. Não arranjamos forma de aproximar o que ainda resta de familiar, mas impomos as diferenças de todas as vezes que cruzamos as apostas. Esperamos mais daqueles que menos deram e abrimos mão dos que estiveram sempre sentados na cadeira ao lado da nossa. Esquecemos os que vieram e lembramos os que ainda estão para chegar. Adubamos os terrenos inférteis, gabamos a nossa vaidade, engordamos o ego e o orgulho. Mas não erguemos os troncos caídos, não limpamos as ervas daninhas. Esperamos por dias melhores, mas estragamos as horas todas. Não nos econtramos uns nos outros, estranhamos todas as palavras e esperamos pelos momentos de siêncio para provarmos a amargura, para provarmos a nossa razão. Levamos as horas para casa e reconstruimos os dias para colar ao álbum de retratos de família. Pomos autolocantes nos sorrisos e guardamos para perceber que ainda somos capazes de nos fazermos felizes. Somos todos ramos da árvore cujo tronco destruímos.

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Festa do Avante! 2009

2009/08/28 · Deixe um Comentário

Setembro é o mês mais aguardado para quem não perde nenhuma edição da Festa do Avante!, para quem nunca a conheceu e para quem nunca ouviu falar.

Um grande momento de afirmação do Partido Comunista Português e da JCP, assim como um palco para extensas manifestações de cultura, gastronomia, desporto, política, solidariedade internacionalista e fraternidade.

Para quem duvida do seu carácter emocional – que também faz parte dos 2 dias na Quinta da Atalaia – recomendo uma visita à Festa. Uma só visita, embora acredite que não seja possível não querer visitar mais e melhor. A sensação de entrar num recinto repleto de cor e alegria é quase impossível de descrever.

Para quem nunca foi à Festa e acredita que passa bem sem ela, desafio a ir este ano e tentar provar que lhe consegue resistir.

Falta só uma semana para a Festa do Avante!, e mesmo contra todos os que a desdenham, a sua construção vai já nos últimos pormenores. E vai abrir na sexta-feira com a explosão de euforia que é dificilmente superada por qualquer outra demonstração de felicidade.

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Ele há coisas…

2009/05/29 · Deixe um Comentário

Depois de uma semana fechada em casa com uma amigdalite, é natural que tudo o que está lá fora me pareça novo e surpreendente. Mas o que vi ao chegar à Universidade de manhã (por volta das 7h50) foi, de longe, mais do que conseguia prever!

Encontra-se, pois, uma surpresa para mim na rotunda mesmo em frente ao campus: um outdoor da JS para as eleições que se avizinham! Ora nada disto me chamaria a atenção, não fossem as letras garrafais dizer – e confesso que não me lembro de mais nada – “Europa é Vital”.

Não fiquei surpresa com o outdoor em si, que já estou acostumada a ver alguns que aparecem de quando em vez da JS, sempre com alguma coisa muito espectacular para mostrar! Mas fiquei surpresa com a capacidade destes rebentos do dito socialismo serem capazes de pensar num trocadilho destes! (Ou alguém bem pago que pense por todos eles).  Palminhas para o noddy!

Mas depois percebi tudo! Não é um trocadilho qualquer, senhores… Funciona essencialmente como auxiliar de memória! Passo a explicar: a malta lá de Santo Tirso não sabia o nome do candidato do PS às Europeias. Os que sabiam nomes, apostavam no Durão Barroso…E antes que a mesma coisa aconteça na Universidade do Minho – porque esses jornalistas são danados! – o melhor é colocar um auxiliar de memória bem visível para todos. “Então sabe quem é o candidato do PS ao Parlamento Europeu?” “Erm…bom…europeu, Europa…Europa…p’ece que vi ali que é Vital” “Muito bem, é Vital sim senhor, mais conhecido, aliás, por Avô Cantigas, mas na realidade é Vital Moreira”. Manchete do dia seguinte: “Estudantes do Ensino Superior em Braga sabem quem é o candidato do PS às Europeias”. Sem dúvida que é uma bela táctica…

Para além de auxiliar de memória, serve também como palavra de ordem…Como? – perguntam vocês, indignados por eu, depois de uma explicação anterior tão lógica e coerente, vos vir sugerir outra. Desta forma: o PM vem apresentar o fantasminha brincalhão aos estudantes da UM e monta o estrado logo ali na rotunda, com o outdoor por trás e as massas – ao rubro, claro – viradas para ele. Faz a sua apresentação na ribalta, enquanto a malta cá em baixo – já se sabe como são estes estudantes, irrequietos e com a mania de gritar por tudo e por nada – começa num alvoroço a gritar “UM é nossa e há-de-ser”. [Permitam-me um aparte na explicação...neste momento o Sócrates ficaria deveras fulo e pederia auxílio às forças policiais para controlarem a multidão, que de assistência rapidamente poderia passar a manifestação, que isso de gritar que a UM é deles quer dizer muita coisa] Mas como os estudantes nunca gritam uma só coisa, acabariam por gritar “Está um diiiiia de sool!”, enquanto os outros respondiam “E nãããããão faz chuuva!” e terminariam, claro, porque aquelas letras são impossíveis de ignorar “EuropéééééVitaal!”. E já está. O rubro, os aplausos, as bandeiras, os sorrisos amarelos, mais uma fábrica a fechar, mais 700 desempregados. Porreiro, pá!

 

Para breve, claro, uma fotografia do monumento.

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Sem título

2009/01/31 · 1 Comentário

Encontrei uma armadura usada no fundo do armário. Denegriu-se o brilho da chapa de geração em geração, de batalha em batalha. As memórias das guerras travadas vivem em cada centímetro dela, ainda que à primeira vista pareça tão inútil quanto as recordações guardadas aos molhos em caixotes cheios de pó. Decidi colocá-la por cima do pijama. Ainda que velha, uma armadura que já combateu vence qualquer obstáculo. Ainda que velha, continua a ser mais dura que a minha pele.

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O amor é cego

2009/01/21 · 2 Comentários

Candeeiros

Vou virar o meu quarto de pernas para o ar e dar-lhe um ar novo. Mas muito novo, com coisas novas e tudo! Sim, irei ao IKEA espalhar o meu amor eterno por todas aquelas coisas fascinantes. E o mais brilhante de tudo é que, pela primeira vez, trarei para casa algo de realmente útil e ao qual se poderá chamar de mobília.

Traduzindo para miúdos: vou meter-me numa embrulhada muito feia. Os únicos dois momentos divertidos deste processo que irá começar nos próximos dias é a ida ao IKEA e o momento em que o meu quarto estiver num brinquinho. Sendo que este último bem poderá ser só daqui a muitos meses.

Ou seja, dias e dias e dias de sofrimento atroz por dois momentos de satisfação. Ok, depois o prazer de ter uma categoria de quarto durará uma pequena eternidade, mas como em todas as relações, a paixão vai esfriando. Isto do amor é mesmo complicado.  Vai ser o meu primeiro comprimisso a sério com o meu quarto. Figas!

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