Não tocá-lo quando está perto é como perder os sentidos por segundos, em que ar e fôlego rareiam ao mesmo tempo, em que um formigueiro dormente desfaz a pele. Quando me não beija, é como se faltasse sangue às veias e os meus lábios parecem desaparecer de tão inúteis e de tão frouxos. Se não lhe sentir o cheiro, mais vale que me arranquem a memória, para não lembrá-lo desesperadamente. Embrulham-se as lágrimas na garganta apertada, como se mais não houvesse que o toque daquelas mãos e o clamor daquela língua; a angústia de não o ter, por inteiro, a toda a hora, como se em mim vivesse, apenas, e fora de mim não valesse nada, não sentisse nada, existisse em nada. Mas quando me penetra os olhos entre esgares e me devora o peito como se travasse em mim todas as batalhas, triunfando energicamente dentro do meu colo, é como se existisse eu apenas para que ele me toque, como se sem ele o meu corpo se desmembrasse e se extinguisse.

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