
Vou virar o meu quarto de pernas para o ar e dar-lhe um ar novo. Mas muito novo, com coisas novas e tudo! Sim, irei ao IKEA espalhar o meu amor eterno por todas aquelas coisas fascinantes. E o mais brilhante de tudo é que, pela primeira vez, trarei para casa algo de realmente útil e ao qual se poderá chamar de mobília.
Traduzindo para miúdos: vou meter-me numa embrulhada muito feia. Os únicos dois momentos divertidos deste processo que irá começar nos próximos dias é a ida ao IKEA e o momento em que o meu quarto estiver num brinquinho. Sendo que este último bem poderá ser só daqui a muitos meses.
Ou seja, dias e dias e dias de sofrimento atroz por dois momentos de satisfação. Ok, depois o prazer de ter uma categoria de quarto durará uma pequena eternidade, mas como em todas as relações, a paixão vai esfriando. Isto do amor é mesmo complicado. Vai ser o meu primeiro comprimisso a sério com o meu quarto. Figas!
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Dizem que fazer execício faz bem a tudo. À saúde, aos velhos, aos novos, aos verdes, aos cor-de-rosa, até ao stress! Pois bem, então eu se calhar vou experimentar disso. Mas vai logo ser numa modalidade onde o stress fique, deveras, bem tratado. Como o kick boxing. Por duas razões essenciais: a raiva sai toda cá para fora e posso aprender a dar pontapés nas fuças com uma força descomunal.
E para quê? Perguntam-se vocês. Então eu respondo, porque não gosto nada de suspense e coisas assim. Porque há gente que merecia um mortal agressivo logo ali, para se deixarem de coisas! É ou não é verdade? Assim em vez de pessoas com boa índole, como eu e vocês, terem que ficar atafulhados de raiva em forma de cor vermelha e comichões no corpo devido à estupidez crónica de alguns, aplicávamos um golpe fatal de fazer piar fininho o mais ignóbil dos seres. Considero que as relações sociais só tinham a ganhar. Claro que teriam que existir regras; não quero que se ande por aí a espalhar socos e caneladas. Aliás, acho que a regra principal era a seguinte: eu podia dar uma coça às pessoas que me irritam, mas ninguém poderia imitar a façanha! Que boa ideia…
Vou começar a escrever uma listinha de pessoas e a imprimir as carinhas lindas para pendurar nos sacos de areia. Para além do Sócras e da Maria de Lurdes – que fazem parte do imaginário de qualquer agressivo-wanna-be do país – o Cavaco também aprendia umas coisinhas, assim como a Ferreira Leite azedo, que quem lhe deu aquela boa disposição e todo aquele dinamismo estava muito confuso nos conceitos. O Louçã também podia levar umas quantas, para se deixar de brincar às revoluções. E a Zita Seabra era logo à facada e que se lixasse a areia que o saco deixava de ter.
Quanto aos amigos mais facéis de encontrar ali ao virar da esquina, ”façam” cuidado!
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