Off the record

Autoridades (in)competentes

2009/01/14 · Deixe um Comentário

Sou uma pessoa que gosta de partilhar experiências, e por isso resolvi colocar aqui um texto que escrevi há longos meses atrás, num blogue de uma amiga. Não vou modificá-lo porque não tenho paciência, portanto façam o esforço de se reportar ao ano passado, por volta do mês de Setembro. Obrigada.

Gostaria muito que este blog fosse o mais visitado de sempre e, que entre os seus visitantes, se incluísse a loja do cidadão. Passo a explicar: eu, cidadã exemplar, sem qualquer tipo de associação a actos de vandalismo ou organizações terroristas, mesmo sem usar turbante e sem viajar com drogas, fui retida num dos aeroportos de Londres. Tudo porque, pelos vistos, o meu BI é, sem mais nem menos, falsificado. Ainda que tenha sido emitido pelas autoridades competentes, este pequeno papel com uma das minhas melhores fotografias não cumpre algumas das regras de segurança. Um dos pormenores engraçados do meu bilhetezinho é a barra em amarelo torrado na parte direita do dito cujo. Os enfeites entrelaçados da coisa ganham na parte transparente um duplicar e até um triplicar de linhas. Fui aconselhada a renovar o BI e a transportar também o passaporte – de repente oiço a sábia voz do meu progenitor a repetir pela terceira vez que é melhor guardar os documentos em sítios diferentes para o caso de um desaparecer –  que, para cúmulo, está caducado e repousa neste preciso momento na secretária do meu quarto em casa dos meus pais. E quando achava que nada podia correr pior, – maldita lei de Murphy – mesmo depois de a minha mala aparecer toda contente encharcada de algo que cheirava a vinho tinto, descubro que para tratar do raio do bilhete de identidade na embaixada portuguesa terei que esperar com a antecedência de três horas na fila à porta antes do horário de abertura (9h30 da manhã) porque as autoridades competentes só recebem 20 pessoas por dia.

Tudo para dizer que estou profundamente indignada com tudo isto. Quanto ao engraçadinho que fez o meu BI, hei-de apanhar-te um dia, seu bovino!

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I hate Processo de Bolonha

2009/01/14 · Deixe um Comentário

Mobilidade é um termo muito bonito. Tal como modernidade, flexibilidade, pró-activo, etc. Gosto de imaginar um departamento especial do Governo, com um gabinete todo XPTO, 30 funcionários ou mais, dicionários na mão e lâmpadas de cores garridas espalhadas pela sala, ligadas alternadamente quando se encontrassem termos que ficassem bem nas propostas do Governo. Ora portanto, Código do Trabalho: flexibilidade! Governo PS: pró-activo! Processo de Bolonha: mobilidade! Ora cá está! E como todos sabemos, aliar estética e função nem sempre é assim tão simples.

Portanto, milhares e milhares de pessoas como eu, mais ou menos bonitas, mais ou menos fantásticas, deparam-se hoje com um Ensino Superior surreal! Sim, surreal. É o único termo que consigo, hoje, arranjar para categorizar o que se pratica nas Universidades. Digamos que poderá passar por tudo menos ensino. Não quero aqui ofender ninguém, vai-se aprendendo, sim, qualquer coisa. Mas decidam-se, por favor! Ou ter cidadãos com graus elevados de educação é importante para a sociedade, ou isto depende das fases e, posto isto, há alturas em que o que dava mesmo mesmo jeito à sociedade era muita mão de obra barata; ou a avaliação é necessária e se dá a possibilidade de a fazer em dois momentos (exame ou recurso), ou então esta é contínua, o que significa, pelos vistos, fazê-la obrigatoriamente em 2 ou mais momentos durante o semestre; ou o Processo de Bolonha significa tudo o que de bom há no ensino estrangeiro, ou então o Processo de Bolonha significa ba-le-las, já que são poucos os estudantes que se viram benificiados com ele. E faço o reparo: caros colegas, se foi o vosso caso, foi precisamente por mero acaso. De resto, anda toda a gente tonta com os trabalhos, com os trabalhos de grupo, com os exames, com as faltas, com as disciplinas por fazer e com as equivalências. Isto para acrescentar às propinas, às bolsas, ao transporte e à residência.

Depois do Processo de Bolonha, vem o novo RJIES. O que foi apregoado desde o início, é que os estudantes deviam ser mais autónomos. E, assim, mais maduros, prontos a usufruir do que a Universidade tem de melhor a oferecer. Isto, traduzido por miúdos, significa autonomia em escolher os grupos de trabalho e os temas, autonomia em arranjar atestados médicos para justificar a 6ª falta que se teve que dar, já que depois de 5 se está reprovado à disciplina. Ou seja, autonomia = dar o litro e é se queres. Quanto ao RJIES, entra a autonomia de novo: a da Universidade. Autonomia em votar as instituições/empresas que farão parte do Conselho Geral e autonomia em ver o Ensino Gratuito cada vez mais longe e as propinas a atingir valores cada vez mais engraçados. Se calhar, daqui a uns anos, podemos comprar acções de empresas em vez de pagar propinas.

E viva o Ensino Superior!

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