Off the record

Simbalóide

2009/10/16 · Deixe um comentário

SimbaFoto: by me. Simba

Fazes-me cócegas de manhã cedo com os bigodes porque insistes em encostar-te ao meu nariz
Lambes-me o queixo sempre que podes com a tua pequena lixa rosa
Seguras a minha cara com as duas patas da frente enquanto encostas o focinho à minha boca
Encostas a cabeça no meu peito e adormeces em 3 segundos
Corres pela casa e vais contra as paredes
Deitas abaixo tudo o que há para deitar e partes copos e garrafas
Enfias-te no caixote do lixo porque não resistes a uma lata de atum
Cheiras a esturgido porque te esfregas no saco de cebolas
Fazes xixi no caixote porque encostas a areia toda só de um lado
Não sabes miar e por isso fazes barulhos estranhos com a garganta
Choras muito e ficas gelado na varanda
Atacas os nossos pés quando os safados se mexem um pouco
Trocas o colo do C. pelo meu todos os dias
Esperas sentado na sanita que eu acabe de tomar banho
Exploras sempre a banheira, mas só quando não há mais água
Lambusas-te com comida húmida como se não houvesse amanhã
Deitas o teu brinquedo sempre abaixo porque ficas demasiado excitado~
Não tens tintins
As tuas patinhas cheiram a chulé
Estás já o dobro do tamanho com que vieste para casa
O teu cocó cheira muito mal
O teu pelo cheira a peluche e guinchas como um brinquedo
Deixas fazer-te festinhas na barriga e viras-te como um caozinho
Deixas pegar em ti as vezes que for preciso
Penduras-te nas calças de ganga do C. para mostrar o teu truque
Fazes asneiras mas és deliciosamente mimoso.

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2009/10/16 · Deixe um comentário

sebastiao_salgadoFotografia: Sebastião Salgado

 

Esta fotografia é inacreditavelmente viciante. Não consigo parar de a olhar.

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III

2009/10/16 · Deixe um comentário

Éramos familiares quando não sabíamos do que seríamos capazes, fomos amigos quando falhámos e somos desconhecidos quando somos quem somos. Não sabemos como seremos e, ainda assim, não temos esperança alguma de sermos em conjunto. Trabalhamos em esforço para acompanhar as marés, mas quando uma está cheia, a outra esvaziou já. Não arranjamos forma de aproximar o que ainda resta de familiar, mas impomos as diferenças de todas as vezes que cruzamos as apostas. Esperamos mais daqueles que menos deram e abrimos mão dos que estiveram sempre sentados na cadeira ao lado da nossa. Esquecemos os que vieram e lembramos os que ainda estão para chegar. Adubamos os terrenos inférteis, gabamos a nossa vaidade, engordamos o ego e o orgulho. Mas não erguemos os troncos caídos, não limpamos as ervas daninhas. Esperamos por dias melhores, mas estragamos as horas todas. Não nos econtramos uns nos outros, estranhamos todas as palavras e esperamos pelos momentos de siêncio para provarmos a amargura, para provarmos a nossa razão. Levamos as horas para casa e reconstruimos os dias para colar ao álbum de retratos de família. Pomos autolocantes nos sorrisos e guardamos para perceber que ainda somos capazes de nos fazermos felizes. Somos todos ramos da árvore cujo tronco destruímos.

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Carreira?

2009/10/15 · Deixe um comentário

Sabem quando a profissão de sonho em criança se torna impossível? Por exemplo, quando queremos ser bombeiros até que percebemos que temos medo do fogo?

Bom, se calhar o jornalismo de investigação não é a minha área porque os meus nervos comem-me o estômago e mal consigo comer.

Vou pensar sobre isto para a minha cama escura, já que os festejos académicos dão dispensa das aulas hoje e amanhã.

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O voto conjugal

2009/10/12 · Deixe um comentário

Durante o longo dia de ontem – dia de Eleições para as Autarquias Locais – desenvolvi uma teoria que me parece, para além de concisa, muito verdadeira. Isto do dever cívico é uma coisa bonita, mas cansa muito passar um dia a ver uma fila interminável de gente aproximar-se da secção de voto onde somos escrutinadores, de lápis por afiar em punho, prontos a procurar entre as imensas páginas o número do totoloto. E, melhor, adivinhar o nome das pessoas, que é algo que me fascina. Porque dizer “2045, José dos Santos Ferreira” (imaginemos!) num tom de meio pergunta meio afirmação, quase como dizendo “diga lá que não adivinhei o seu belo nome?” é fascinante para mim! Mas bom, voltando à minha teoria e deixando as outras exeperiências do dia para depois vos contar. O voto conjugal!

O voto conjugal é um fenómeno que aparece à margem do voto secreto e democrático, porque, tal como o nome indica, é conjugal. Ou seja, rege-se pelas regras do santo matrimónio e por todas as outras sub-regras que daí adevêm. Então: em resumo, o voto conjugal é quando um casal – de qualquer tipo – vai ao mesmo tempo às urnas e preenche os boletins de voto ao mesmo tempo. Tudo bom até aqui. Onde surge o fenómeno? O voto é discutido no acto, onde vale tudo: passar de um lado para o outro para indicar ao cônjuge onde votar; segredar entre a separação ou mesmo discutir a questão enquanto se espera na fila!

A teoria que desenvolvi baseia-se numa relação simples e numa evolução de personalidades. Todos conhecemos em algum momento da nossa vida aqueles colegas que por mais que estudassem, por mais que soubessem, ou então por mais que não soubessem, não conseguiam fazer um único teste ou exame sem confirmar todas as suas respostas com os seus pares. Ora estas pessoas, claramente inseguras, mas pelas mais diversas razões (ou outras nem sequer inseguras, mas que ganharam esta terrível mania) crescem e desenvolvem-se na sociedade desta mesma forma: sendo incapazes de dar um passo sem confirmar com os seus pares se está tudo bem, se podem avançar.

E como sabemos, muitas das relações que construímos são amorosas (mais ou menos) e nelas se descortina muita da nossa matéria. E é então aqui que este tipo de pessoas escolhem os seus companheiros de vida segundo esta velha mania: ou escolhem alguém a quem possam sempre perguntar antes de fazer (aliás, confirmar, perdão) ou escolhem alguém que tenha que confirmar com elas por sua vez. Estabelecem-se então aqui poderosas relações de poder! E, infelizmente, na maior parte dos casos o elemento masculino é o detentor de toda a razão (chamemos-lhe o líder de opinião) e o elemento feminino o que necessita de constante confirmação.

E é então que ele acontece: o voto conjugal. Mais ou menos saudável, porque vai desde o caso em que o casal discute na fila em quem vai votar, até ao que concorda em votar no mesmo já na secção de voto passando pelo menos saudável, que é o caso em que um dos elementos do casal não está cá para discussões e simplesmente vota pelo outro.

No meio de tudo isto, são diversas as vezes que se chama a atenção a casais por estarem a conversar na secção de voto, incluindo o tão saudoso “shhhhhhh” que costumávamos ouvir nos tempos da primária!

A todos os casais que praticam o voto conjugal deixo uma mensagem: por favor, deixem de ser idiotas! As relações são únicas e bonitas e a intimidade deve prezar-se…Mas não contra a lei, senhores. E quanto aos que necessitam constantemente de confirmações…Das duas uma. Ou se afastam da minha vida bem rapidinho para eu não ter que vos esganar ou então experimentem, uma vez por outra, pensar pelas vossas lindas cabecinhas. Espantar-se-iam com o resultado de uma decisão própria!

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