A raiva que não se sente porque não é nossa é tão maior quanto a raiva que sentimos quando é de todos. Porque se não sentirmos a raiva dos outros é porque a nossa não está. E quando sentimos a raiva dos outros é porque a raiva há muito nos consumiu. Por isso, se sentimos a raiva dos outros como se da nossa se tratasse, e ignoramos a nossa como se dos outros se tratasse, sentimos raiva porque sim, porque não, e porque é assim. E porque não é. Fazer sentido nos outros é, acima de tudo, fazer sentido em nós próprios. E a raiva faz sentido. E quando nos engasgamos com raiva e ela nos sai garganta fora, peito fora, corpo fora, gritámos a raiva de todos em todos, de nós neles, deles em nós. Quando ela cresce, silenciosa, das entranhas para fora, ou quando ela entra, sorrateira, pelos poros adentro, gesticulamos para que ela fuja, ou para que morra, em nós e nos outros. Para que desapareça, porque sem raiva estamos melhor, ou pior, ou mais ou menos. Mais ou menos sozinhos, mais ou menos uns com os outros. Sem raiva não faz sentido. Não faz sentido! Somos poucos sem raiva e demasiados com raiva. Faz sentido! E se é raiva o que sentimos quando apertamos as mãos e não repetimos o que dissemos tantas e tantas vezes, é raiva também o que sentimos quando nos faltam as palavras para tudo, e quando choramos a raiva porque desapareceu e deixou nada no lugar dela. Nada! Nadas sem raiva não fazem sentido!
Primeiros
2010/01/09 · Deixe um Comentário
Cindy Sherman
Meus piquenos – sim, piquenos, como ensina a Tia Manela!
Prometo que este novo post, neste novo ano, neste novo mês, nada terá de depressivo ou sério! Li o último post e não gostei muito do tom, e pensei logo em vocês, que devem ter pensado horrores de mim. Coisas como “ela é mazé parva”. E como não gosto que achem que sou parva pelas razões erradas, este post é um de ânimo leve! Muito leve! Aliás, não vou escrever nada de jeito para ser ainda mais leve! E muito mais leve, só se não o tivesse escrito.
O primeiro post do ano vai ter uma dedicatória; sim, uma dedicatória. Mas leve! Nada de lamechas, nem sério, nem depressivo. Fica dedicado à Rita Ritolas, por me ter lembrado que eu tenho um blog no qual devia escrever. Sim, admito que às vezes me esqueço de vocês! Mas é um esquecimento – again – leve! Nada de muito grave.
Se calhar aproveito o primeiro post do ano para…vos desejar um bom ano! Pelo menos eu espero que para mim seja bom. Não sei quanto a vocês…Mas a minha resolução máxima para este novo ano é “Let´s kick 2009’s ass!”.
Hoje sinto-me very Cindy Sherman. E hoje a minha personagem é absolutamente assim.
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Vale
2009/12/10 · Deixe um Comentário
Para os descrentes, os críticos, para os que por já cá passaram, para os que desistiram:
Vale sempre a pena lutar. Vale sempre a pena intervir.
Nunca se ganha quando se fecha a porta e não se olha para trás.
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(In)coerência
2009/11/14 · Deixe um Comentário
Eu não sou como tu porque eu não pedi o atestado de sabichão Não sou como tu, que mudo conforme o tom, e falo conforme as vontades. Não digo o dito por não dito, nem nunca digo quando não sei. Tu sabes tudo e gostas de o mostrar. Tu sabes o que custa a fome quando olhas para números, e sabes quanto custou a liberdade porque não permitem que tu não saibas. Eu não falo de cima para baixo e tu não sabes o que se passa cá em baixo. Tu pensas que mudas porque o dizes e eu mudo porque o faço. Tu transformas quando dás murros na mesa, eu transformo palmo a palmo. Tu criticas hoje o que fazes amanhã. Tu não conheces o que defendes porque não podes calcular o quanto varia. Tu tens ânsia de provocação e recebes de braços abertos máus carácter a troco de me acusar. A troco, no final do dia, de nada. Eu não sou como tu porque tu não sabes o que é ser perseguido e injustiçado, mas chamas para ti o carimbo de original. Eu não sou como tu porque tu só te lembras das fábricas quando elas fecham. Porque tu preferes profissões modernas nos panfletos. Tu fazes para ter protagonismo e eu faço sabendo que não o vou ter.
Tu organizas-te nas fábricas para negociar com o patrão. Mas tu escreveste antes nas fábricas: patrão=ladrão.
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Marcha pelo Ensino Superior
2009/11/14 · Deixe um Comentário
Caros!
Votado em Magna na Universidade de Coimbra, o próximo dia 17 ficará marcado com a Marcha pelo Ensino Superior. De qualidade, por mais financiamento, por melhor Acção Social Escolar.
Ainda que não faça parte das badeiras de luta desta Marcha, não posso deixar de salientar as também antigas e também inadiáveis bandeiras do fim das propinas, do RJIES e de Bolonha! Se o Ensino Superior se quer de qualidade e democrático, quer-se público e gratuito! Chega de desinvestimento e desresponsabilização do Governo, chega de tentativas de privatização das Instituições do Ensino Superior.
É hora de os estudantes do Ensino Superior dizerem basta, saírem à rua, reclamarem os seus direitos.
Será hora de dizer: Estudantes do Ensino Superior de todo o país: uni-vos!
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